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Trocando cartas Outubro 26, 2007

Arquivado em: Devaneios — devaneario @ 2:53 am
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Hoje fiz uma coisa inusitada, que há muiiiiito tempo eu não fazia: escrevi uma carta. Na verdade o fato é mais insólito ainda: respondi a uma carta enviada por uma amiga que há anos não tenho contato. Uma amiga de mais de quinze anos atrás. Engraçado é que naquela época vivíamos trocando cartas, mesmo morando na mesma cidade.

Até nos encontramos algumas vezes ao acaso nos último anos. Aquela coisa: “oi tudo bem, como estás? Então tá…” Mas é assim com amizades que já passaram por seu momento. No nosso caso esse momento foi a nossa adolescência, ou melhor, o fim dela. O começo do fim. Época de conflitos, rebeldias e decisões. Vestibular, futuro, namorados, tudo uma incógnita. Tudo exigindo uma resposta que nem sempre estávamos prontas para dar. Éramos várias garotas beirando os vinte anos, cada uma com a sua história de vida buscando um rumo. E nisso éramos iguais. Almas gêmeas.

Resgatar este processo de escrever cartas remete a algo nostálgico, ao mesmo tempo em que evoca uma sensação de intimidade muito forte. Intimidade com o papel, a caneta, o movimento da mão, o fluir das palavras. Um verdadeiro ritual. Bem esquecido em épocas de teclados, mouses e palavras de vidro.

Escrever é uma extensão natural de minha mente, a palavra é meu recanto. Sempre foi. O ato de fazer uma carta torna-se perfeito. A naturalidade com que se afinam os sentimentos, pensamentos e a caneta é maravilhoso de se observar. Entram em uma sintonia perfeita. As palavras fluem numa maré morna de verão.

Me peguei escrevendo sobre o tempo, naturalmente. “Como sentimos o tempo e sua pressão. Tentando viver sem nunca de fato estarmos prontos. Por mais que a gente corra parece sempre estar atrás. Sinto que ainda não fiz tudo que gostaria e que muitos dos meus planos não deram certo. Mas acho que tudo isso faz parte da maturidade, aceitar as derrotas, abrir mão das ilusões e ao mesmo tempo tentar manter vivo os sonhos”.

Assim são as cartas, reveladoras. Intimamente reveladoras. Espelhos de nossos pensamentos a mercê do impulso de nossa mão. Com certeza um ótimo exercício.

 

 

 

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