A revista Vida Simples de outubro traz uma matéria maravilhosa sobre a arte de escrever e sobre os caminhos que levaram quatro escritores a realização de seus sonhos. Escrita por um poeta de extremo talento e sensibilidade, Fabrício Carpinejar. Aqui vai um trecho que consegue dizer tanta coisa em tão poucas palavras… a isso se chama boa literatura e disso o Carpinejar entende: “O que faz alguém acordar de manhã e dizer para si mesmo: “Eu sou escritor”?
“Escritor não nasce pronto. A profissão “escritor” não consta em teste vocacional nas universidades. No máximo, verifica-se uma inclinação às Letras do vestibulando. E parece relativamente fácil ser escritor: boas idéias, caneta e papel (ou um bom processador de textos no computador). Mas como alguém pode adivinhar se é destinado para aquilo? Qual é o segredo para deixar uma carreira estável ou um emprego seguro para se enfurnar em escrever e escrever histórias atravessando madrugadas e manhãs secretamente, sem nenhuma testemunha? Digitar um punhado de páginas, imprimir, encaixar as folhas numa espiral preta, enviá-las para uma editora e sentir um misto de orgulho e medo. Orgulho porque é seu primeiro livro, medo porque não tem certeza se o esforço valeu a pena. Trabalhar e trabalhar, longe de uma recompensa imediata. O que faz alguém acordar de manhã e dizer para si mesmo: “Eu sou escritor”?